Circo Negro
Circo Negro
Blog da Associação de Teatro Circo Negro
Levar arte e cultura a população carente no interior do Estado é um dos objetivos do projeto “Casca-Verde” da Associação de Teatro Circo Negro. A instituição teatral que existe a 14 anos e é voltado para a valorização do teatro de rua, tendo como filosofia levar arte à população que não tem acesso aos espetáculos teatrais, assim como mostrar um teatro que possibilite através de ações discutir a cultura, a história, transformar homens e valorizar a arte piauiense. A companhia também realiza trabalhos de pesquisas sobre a cultura piauiense. O Circo Negro já montou peças como “Palha de Arroz”, de Fontes Ibiapina, a “Hora da Estrela” de Clarice Lispector, o “Rico Avarento”, do Ariano Suassuna, “Grandes Sertões Veredas”, de Graciliano Ramos e diversas obras da literatura piauiense e universal.O desenvolvimento de suas atividades, se divide em trabalhar com produção cultural, educação e pesquisa.
A Associação está se aventurando nos mais longínquos municípios valorizando a arte popular e as riquezas culturais do Piauí.O projeto foi implantado desde 2004 na escola Areolino Leôncio da Silva, na zona rural de Teresina onde acontece várias oficinas permanentes com a comunidade. Entre elas podemos destacar: oficina de percussão, corte e costura, produção de bijuterias com sementes, teclado, artes manuais, agentes comunitários e vídeo.
O trabalho também resultou em um filme que foi lançado no inicio de 2006 e conta com direção de Chiquinho Perreira e Luciano Melo, idealizadores e coordenadores do projeto.O filme foi feito com atores da própria comunidade, preparados a partir de oficinas de teatro.e busca , através da arte, fixar elementos da cultura na zona rural de Teresina.
Desde julho deste ano, o projeto Casca-Verde vem se ampliando e transformando num grande movimento de libertação cultural, formando novos multiplicadores. e conta com o apoio do Programa de Combate a Pobreza Rural (PCPR) O projeto já esteve em Pedro II , Esperantina, Oeiras e Água Branca. Geralmente o público beneficiado são jovens que moram em assentamento e que não tem muitas oportunidades no campo.Em Pedro II Tivemos a participação de jovens de vários assentamentos e cidades vizinhas .
Segundo a irmã Celina Paraíso coordenadora da fundação Santa Ângela, em Pedro II,o projeto Casca -Verde vêm contribuir para valorizar a nossa cultura. “Nós sentimos a mudança nesses jovens,tanto na questão de consciência cidadã como politicamente. Precisamos ter educadores e artistas que se proponham a fazer o que vocês fazem.Precisamos levar esses jovens a ter uma abertura para o mundo através do envolvimento com a arte. Quando o Circo Negro se propõe a fazer um trabalho como esse o resultado é um sucesso.e notamos de imediato”, destacou irmã Celina.
Para Rakel de Maria Soares Oliveira, aluna de geografia e técnico agrícola, estuda na Fundação Santa Ângela e fez parte da oficina de Teatro e Agente Cultural. “O Projeto é muito importante, percebi que com a arte podemos promover o desenvolvimento social levar conhecimento a outras pessoas”, afirmou a estudante. “O teatro tem um poder cultural muito grande de transformação. Na oficina de Agente Cultural aprendi a ter uma nova visão do que sou, da minha identidade enquanto nordestina,faço parte de um povo criativo, cheio de garra e devo ter orgulho de ser nordestino e valorizar minha cultura. Esse projeto e o teatro me despertou para isso”, ressaltou Rakel.
A cultura Casca-Verde se propõe a fazer um movimento cultural através da arte onde se agrega possibilidades de discutir história, política, arte, educação de homens e mulheres e incentivando a pesquisa sobre a nossa cultura.
Joniel Gomes Ibiapina estuda o 1º ano técnico agricola na Fundação Santa Ângela. Ele fez parte da oficina de percussão. “Deu pra aprender muito em relação a musica, já consigo perceber o numero de pancadas de um instrumento e ritmos. Agora já sei identificar os sons, nosso objetivo agora é mostrar através da mídia o que somos capazes de fazer , mostrar as pessoas nossa identidade cultural utilizando a musica.”, disse Joniel.
A cultura Casca-Verde se propõe a formar novos pensamentos e atitudes é um processo de luta onde se propõe através do conhecimento de nossa cultura e pela afirmação da nossa identidade transformar o Piauí através da arte.
Francilene Sousa Santos,dona de casa disse que foi a primeira oficina que fez e , gostou por que aprendeu a confeccionar vários tipos de bijuterias com sementes. “Isso vai me ajudar na renda familiar”, afirmou a dona de casa.
Casca-Verde é um projeto que se propõe a dialogar com os piauenses e que de forma conjunta possamos encontrar alternativas para os nossas dificuldades.
“Lairivan Barros Soares e estudante técnico agrícola na Fundação Santa Ângela” No inicio não tinha conhecimento nenhum em relação a vídeo, mais aprendi a lidar coma a câmera, conheci um pouco sobre o processo de adição e vai me ajudar a produzir vídeo e documentários na fundação”, afirmou o estudante.
“O mais importante desse projeto é que estamos na zona rural e agora levando o projeto Casca-Verde a outras cidades piauiense tendo contatos com a cultura do interior e que às vezes não conhecemos, e principalmente dialogando com a sociedade Global,pretendemos sempre está em contato com esses núcleos do Projeto, discutindo e procurando soluções para nossas dificuldades, e nos conscientizando da nossa importância enquanto Piauense”. finalizou Carla Senna, Presidente da Associação de Teatro Circo Negro.
Por Carla Senna
Contato skarlatsenna@hotmail.com
O Grupo de Teatro Circo Negro apresenta amanhã dia 07/11 na Universidade Facime a peça de teatro Corredor Polonês as 19:00h. A peça é de Ítalo Gustavo e conta com direção de Chiquinho Pereirra, participação de Carla Senna, Luciano Mello, Fatima Silva, Anael Quiróz,Josè Maria e Daniel Feitosa.
O Grupo de Teatro Circo Negro apresenta amanhã dia 07/11 na Universidade Facime a peça de teatro Corredor Polonês as 19:00h. A peça é de Ítalo Gustavo e conta com direção de Chiquinho Pereirra, participação de Carla Senna, Luciano Mello, Fatima Silva, Anael Quiróz,Josè Maria e Daniel Feitosa.
da escritura do texto de teatro à encenação
"É somente às luzes da ribalta que uma obra
dramática começa a verdadeiramente a viver".
Paul Claudel a Jean-Louis Barrault
"Não acho que os diretores e atores sejam mais importantes
do que os poetas, acho absolutamente o contrário:
quem faz o teatro progredir são os poetas dramáticos.
Porque eles propõem aos atores e diretores (...) tarefas irrealizáveis".
Antoine Vitez
"Para que um drama seja bom, basta que seja executável
em grande número de estilos e, portanto, modificável".
Bertold Brecht
A Associação de Teatro Circo Negro estará toda quinta-feira durante o mês de Setembro, a partir das 18:30h na Casa de Cultura apresentando o filme Os Amores de Teresa com direção de Chiquinho Pereira.
Mais informações 99750455 ou skarlatsenna@hotmail.com
Escrever, Humildade, Técnica
Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade", refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade como técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.
In "Para não esquecer", Ed. Ática, São Paulo, 1978, pág. 21.