A Associação de Teatro Circo Negro - ATCN - tem longa trajetória de trabalho e sucesso.
Atualmente, os 4 (quatro) grupos que compõem a ATCN contam com repertório rico e variado, que vai desde Martins Pena a Brecht.
A tônica de tais montagens é justamente a realização de um teatro enquanto instrumento de cultura, tendo, portanto, compromisso ético e artístico em todos os seus trabalhos.
Novamente, eis um resumo da nossa história:
A Associação de Teatro Circo Negro surgiu em 1992. Na época, os atores Chiquinho Pereira, Fernando Freitas e Laurent Matallia montaram "As Criadas", de Jean Genet, sob direção de Matallia.
Nos anos seguintes foram levados à cena "O Mata Sete" e "História de muitos amores", ainda sob a direção do paulista Laurent Matallia, mesmo diretor de "Boca de Ouro" (1994), de Nelson Rodrigues, de que participaram Chiquinho Pereira, Adriano Abreu, Siljane Alves, Cláudia Santos, Luciano Melo, o próprio Matallia, Eva Vieira, Socorro Bezerra e Antônio Carlos. Esta peça ganhou seis indicações e um prêmio (melhor ator) no Festival de Teatro de São Mateus.
Em 1996, Chiquinho Pereira assume a coordenação da Associação. Neste mesmo ano, Áureo Tupinambá Júnior foi convidado para dirigir o espetáculo "Poemas 96", o qual reunia textos de poetas piauienses. Em 1997, estreou "Mãe, mulher, professora e funcionária pública", uma comédia de Adriano Abreu, com participação de Cláudia Santos, Carlos Aguiar e Chiquinho Pereira, indicado pelo Sindicato de Artistas e Técnicos do Piauí, para premiação, nas categorias melhores espetáculo, direção, texto e ator.
Em 1998, a Associação montou, sob direção de Chiquinho Pereira, os espetáculos "Poesias 98" e "El Matador" (adaptado do poema homônimo de H. Dobal, especialmente para o lançamento do primeiro número da Revista Pulsar), além de pequenas esquetes de rua, com temas sociais.Em 1999, foi feito um convênio com o SESC-PI, para a realização do projeto "Performances Literárias", que contemplou obras constantes no edital do vestibular da UFPI: "Jangada de pedra", de José Saramago, "Tempo conseqüente", de H. Dobal, "Poesia lírica", de Luís Vaz de Camões, "Vidas secas", de Graciliano Ramos e "Grande sertão: veredas", de Guimarães Rosa, espetáculos dirigidos por Adriano Abreu, Chiquinho Pereira e Cláudia Santos. Houve, também, a participação no lançamento do segundo número da Revista Pulsar, com o monólogo "Pulsar", que reunia fragmentos de textos do periódico.
No início de 2000, incorporaram-se à Associação de Teatro Circo Negro os grupos Circo Azul, Circo da Estrela Amarela e Companhia Pedra de Teatro. O primeiro promove um trabalho de arte-educação com crianças entre sete e quatorze anos. O Circo da Estrela Amarela lida com atores jovens, intentando a sua formação técnica e a montagem de espetáculos, o que o fez, neste mesmo ano, com "Outras faces da fábula", ganhador dos prêmios de melhor espetáculo dos júri oficial e popular do Festival de Teatro de Bairros de Teresina, promovido pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves, tendo, em 2001, montado o monólogo "Lázaro feito em pedaços", de Dario Fo. A Companhia Pedra de Teatro fez, por sua vez, a montagem do monólogo "Canções de Cecília Meireles", com Luciano Melo. Já o Circo Negro, grupo que dá nome à Associação, sob direção de Chiquinho Pereira, trabalha, igualmente, a formação técnica de atores e montou os espetáculos de rua "A Bela Adormecida" e "O Mágico de Oz". No ano de 2001, criou-se o Grupo Circo Harmonia, que associa artes plásticas e teatro, com um trabalho educativo voltado para adolescentes.
PERFIL.
A Associação de Teatro Circo Negro tem duas linhas fundamentais: a pesquisa e a montagem de espetáculos. Como toda arte, o teatro pressupõe um estudo criterioso dos seus fundamentos, que servem para dar solidez e consistência às montagens realizadas e respondem a duas perguntas – qual a sua natureza e qual o seu propósito –, compreendendo que ela, a arte, não é um simples conjunto de elementos estéticos, mas, rigorosamente, um instrumento de reflexão sobre a condição humana. É deste modo que é entendida e orientada a produção teatral do Circo Negro.
A pesquisa referida envolve, por sua vez, três aspectos: a história, a teoria e a filosofia. No campo da história, são paradigma a do teatro e a do Piauí. É que, compreender o desenvolvimento do teatro, com suas peculiaridades, objetivos e fatos, favorece uma visão mais abrangente a seu respeito, define-se melhor esta pelo estudo de estilos, dramaturgos, estéticas, montagens, atores/diretores e condicionamentos político-sociais. Por outro lado, como o artista não se dissocia do espaço social do qual faz parte, a necessidade do conhecimento da sua história; e, no caso particular, a do Piauí, é essencial.
No tocante à teoria, os estudos centram-se na obra de Constantin Stanislavski e Bertolt Brecht e, no que concerne à filosofia, a busca é a de uma ética calcada em um humanismo cristão, sendo todo o trabalho conduzido de forma a que os componentes tenham um aprendizado gradual e contínuo. Assim, o Circo Azul é a primeira etapa de aprendizado, pois se responsabiliza pela educação teatral de crianças que, depois, são encaminhadas para o Circo da Estrela Amarela, no qual são iniciadas nas técnicas de representação. O Circo Negro responsabiliza-se pelo aprofundamento e finalização da formação dos atores e, por fim, a Companhia Pedra de Teatro monta espetáculos, em que os atores têm a oportunidade de continuar sua formação dramatúrgica.